O mundo da alimentação e da agricultura em cinco indicadores
Esta apresentação percorre cinco indicadores do World Bank WDI sobre alimentação e agricultura, um por quadro. Em cada quadro aparecem o ranking em barras, o valor e a posição do Brasil e a linha de evolução do país. Todos os números vêm da mesma base de dados apresentada nesta página.
| Prevalence of undernourishment | 9 | Brasil: 2,5% da população, contra 8,5% no mundo |
| Cereal yield | 45 | Brasil: 5.002,6 kg/ha de cereais, acima da média mundial de 4.243,5 |
| Agricultural land | 131 | Brasil: 28,3267% do território como área agrícola |
| Food production index | 64 | Brasil: índice de produção de alimentos em 113,77 |
| Employment in agriculture | 69 | Brasil: 7,6278% do emprego total na agricultura |
Leia cada quadro isoladamente: as unidades mudam (%, kg/ha, índice) e o número de países comparados também varia, de 169 a 210. O sentido do ranking igualmente se inverte — em subalimentação e emprego agrícola o menor valor fica no topo, em produtividade e área agrícola é o maior.
Pontos principais
O Brasil aparece nos cinco indicadores desta edição com uma posição intermediária em área e produtividade, mas destacada no volume de produção. O número mais visível é o índice de produção de alimentos: 113,77 (base 2014-2016 = 100), o que coloca o país na 64ª posição entre 195 países e acima do valor de referência mundial de 100,0. Na prevalência de subalimentação, o Brasil registra 2,5% da população (2023), valor bem abaixo do mundial de 8,5%. Já a produtividade dos cereais, 5.002,6 kg/ha, e a proporção de área agrícola, 28,3267% do território, situam o país no meio da tabela — respectivamente 45º entre 181 países e 131º entre 210.
*Fontes: World Bank (World Bank WDI) — "Food production index (2014-2016 = 100)", "Prevalence of undernourishment (% of population)", "Cereal yield (kg per hectare)" e "Agricultural land (% of land area)".*
Valor mais recente do indicador central
O indicador que abre esta edição é a prevalência de subalimentação. O Brasil marca 2,5% da população em 2023, ocupando a 9ª posição entre 169 países, contra um valor mundial de 8,5%. É importante notar que 2,5% é o piso da série: doze países aparecem com exatamente esse mesmo valor — Argélia, Armênia, Austrália, Áustria, Azerbaijão, Bielorrússia, Bélgica, Bósnia e Herzegovina, Brasil, Bulgária, Canadá e Chile —, de modo que a ordem entre eles não expressa diferença mensurada. O que se pode dizer é que o Brasil está no grupo situado no limite inferior registrado pela série, distante do valor mundial e muito distante da outra ponta.
*Fonte: World Bank (World Bank WDI) — "Prevalence of undernourishment (% of population)", https://data.worldbank.org/indicator/SN.ITK.DEFC.ZS*
Quem está no topo e na base
Na subalimentação, onde o menor valor é melhor, a base da tabela reúne países marcados por conflito ou fragilidade: Haiti 54,2%, Somália 53,2%, Coreia do Norte 47,0%, Madagascar 39,5% e Síria 39,0%. Na produtividade dos cereais, o sentido se inverte — quanto maior, melhor — e o topo é ocupado por Omã 29.147,0 kg/ha, Emirados Árabes Unidos 23.306,5 e Catar 18.274,6, países de área colhida muito pequena e forte dependência de irrigação; logo abaixo vêm Nova Zelândia 9.101,9, Bélgica 8.485,7 e EUA 8.413,5. Na base estão Cabo Verde 40,3, Namíbia 451,2, Somália 503,5 e Níger 577,4 kg/ha. O Brasil, com 5.002,6 kg/ha, fica na metade superior (45º de 181). Já na proporção de área agrícola o topo tem Costa do Marfim 86,4758%, Turcomenistão 84,2216%, Burundi 83,8866% e o vizinho Uruguai 81,3541%, enquanto o Suriname 0,445%, a Groenlândia 0,5923% e Singapura 0,9192% fecham a lista; a Guiana, também sul-americana, aparece com 3,4101% (200º). O Brasil, com 28,3267%, está abaixo do valor mundial de 36,8836%.
*Fontes: World Bank (World Bank WDI) — "Prevalence of undernourishment (% of population)", "Cereal yield (kg per hectare)" e "Agricultural land (% of land area)".*
Como mudou nesta década
O índice de produção de alimentos é o que mais se move: passou de 92,30 em 2011 para 113,77 em 2022, um avanço de 21,47 pontos em relação à própria base 2014-2016 do país. A produtividade dos cereais oscilou sem uma linha reta: 4.826,4 kg/ha em 2013, mínimo de 4.181,7 em 2016, máximo de 5.336,5 em 2023 e 5.002,6 em 2024 — uma amplitude de cerca de 1.154 kg/ha entre o pior e o melhor ano da série. A proporção de área agrícola subiu de 27,91% em 2012 até 28,3411% em 2017 e desde então permanece praticamente estável, em 28,3267% nos dois últimos anos registrados. A participação da agricultura no emprego caiu de 9,3065% em 2014 (com pico de 9,7979% em 2016) para 7,6278% em 2025, recuo de 1,68 ponto. Na subalimentação, o valor ficou em 2,5% de 2012 a 2019, subiu para 2,8% em 2020, 3,4% em 2021 e 3,2% em 2022, voltando a 2,5% em 2023.
*Fontes: World Bank (World Bank WDI) — "Food production index (2014-2016 = 100)", "Cereal yield (kg per hectare)", "Agricultural land (% of land area)", "Employment in agriculture (% of total employment)" e "Prevalence of undernourishment (% of population)".*
Comparação com países próximos
Entre as economias de referência listadas, a produtividade brasileira de cereais é a menor: 5.002,6 kg/ha contra EUA 8.413,5 (45º frente a 10º; diferença de 3.410,9 kg/ha), Reino Unido 7.137,9, Alemanha 7.007,3, Coreia do Sul 6.615,2, China 6.418,1, França 6.280,8 e Japão 6.245,1. A ordem se inverte no índice de produção de alimentos: o Brasil, com 113,77 (64º), está acima de China 111,75, Reino Unido 101,24, Coreia do Sul 101,21, EUA 100,86, Japão 100,27, França 94,02 e Alemanha 92,71 — lembrando que cada país é medido contra a própria média de 2014-2016. Na área agrícola, os 28,3267% do Brasil ficam abaixo de Reino Unido 70,3073%, China 55,4326%, França 52,5044%, Alemanha 47,4659% e EUA 46,0830%, mas bem acima de Coreia do Sul 16,0656% e Japão 12,6368%; na América do Sul, o contraste doméstico é grande, com Uruguai em 81,3541% e Guiana em 3,4101%. No emprego agrícola, os 7,6278% brasileiros superam Coreia do Sul 5,1038%, Japão 2,8137%, França 2,3341%, EUA 1,5249%, Alemanha 1,0710% e Reino Unido 0,8513%, ficando bem abaixo de China 21,6769% e do valor mundial de 25,7808%.
*Fontes: World Bank (World Bank WDI) — "Cereal yield (kg per hectare)", "Food production index (2014-2016 = 100)", "Agricultural land (% of land area)" e "Employment in agriculture (% of total employment)".*
Como ler estes números
Cada indicador mede uma coisa diferente e não deve ser somado aos demais. A prevalência de subalimentação tem 2,5% como valor mínimo publicado, ou seja, corresponde a "abaixo de 2,5%": a posição dentro desse grupo não indica desempenho relativo. A produtividade dos cereais é peso colhido por hectare colhido; depende dos cereais cultivados, da irrigação e do tamanho da área, e por isso países com área muito pequena podem liderar a lista sem que isso descreva escala de produção. A proporção de área agrícola soma lavouras temporárias, culturas permanentes e pastagens permanentes sobre a área territorial, e não informa produção nem autossuficiência alimentar. O índice de produção de alimentos é relativo à média de 2014-2016 de cada país, de modo que a posição reflete crescimento desde esse período, não volume produzido; o valor mundial de 100,0 é a própria base, não uma média de resultados. A participação da agricultura no emprego é estimativa modelada da OIT, não medição direta. Também convém observar que o ano mais recente varia por indicador (de 2022 a 2025) e que o sentido do ranking se inverte entre eles — em subalimentação e emprego agrícola o menor valor fica no topo, enquanto em produtividade e área agrícola é o maior. Todos os dados vêm do World Bank WDI, com atualização anual, e as diferenças de metodologia entre países limitam comparações estritas.
*Fontes: World Bank (World Bank WDI) — "Prevalence of undernourishment (% of population)", "Cereal yield (kg per hectare)", "Agricultural land (% of land area)", "Food production index (2014-2016 = 100)" e "Employment in agriculture (% of total employment)" (estimativa modelada da OIT).*
Prevalência de subnutrição no mapa e em gráficos
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Argélia | 2.5 |
| 2 | Armênia | 2.5 |
| 3 | Austrália | 2.5 |
| 4 | Áustria | 2.5 |
| 5 | Azerbaijão | 2.5 |
| 7 | Bélgica | 2.5 |
| 8 | Bósnia e Herzegovina | 2.5 |
| 9 | Brasil | 2.5 |
| 10 | Bulgária | 2.5 |
| 11 | Canadá | 2.5 |
| 167 | Coreia do Norte | 47 |
| 168 | Somália | 53.2 |
| 169 | Haiti | 54.2 |
No topo aparecem doze países empatados em 2,5%, entre eles Brasil, Chile, Canadá e Austrália; na base estão Haiti 54,2%, Somália 53,2% e Coreia do Norte 47,0%. O Brasil está na ponta de menor prevalência.
A barra brasileira fica bem abaixo do valor mundial de 8,5%, e a distância até o outro extremo passa de 50 pontos percentuais. A linha mostra 2,5% até 2019, alta para 3,4% em 2021 e retorno a 2,5% em 2023.
Comparar países
Rendimento dos cereais
| Posição | País / território | kg/ha |
|---|---|---|
| 1 | Omã | 29,147 |
| 2 | Emirados Árabes Unidos | 23,306 |
| 3 | Catar | 18,275 |
| 4 | Kuwait | 14,957 |
| 5 | São Vicente e Granadinas | 13,344 |
| 43 | Itália | 5,059 |
| 44 | Uruguai | 5,058 |
| 45 | Brasil | 5,003 |
| 46 | Polônia | 4,895 |
| 47 | Malta | 4,880 |
| 179 | Somália | 503.5 |
| 180 | Namíbia | 451.2 |
| 181 | Cabo Verde | 40.3 |
O topo reúne Omã 29.147,0, Emirados Árabes Unidos 23.306,5 e Catar 18.274,6 kg/ha, países de área colhida pequena e irrigada; na base estão Cabo Verde 40,3 e Namíbia 451,2 kg/ha. O Brasil fica na metade superior.
As barras têm escala muito desigual: do primeiro ao último a diferença ultrapassa 29.000 kg/ha. A linha brasileira oscila entre 4.181,7 kg/ha em 2016 e 5.336,5 kg/ha em 2023, sem tendência retilínea.
Superfície agrícola (% do território)
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Costa do Marfim | 86.48 |
| 2 | Turcomenistão | 84.22 |
| 3 | Burundi | 83.89 |
| 4 | Uruguai | 81.35 |
| 5 | Arábia Saudita | 80.77 |
| 129 | Indonésia | 29.13 |
| 130 | Irã | 29.01 |
| 131 | Brasil | 28.33 |
| 132 | Tadjiquistão | 27.95 |
| 133 | Croácia | 26.55 |
| 208 | Singapura | 0.92 |
| 209 | Groenlândia | 0.59 |
| 210 | Suriname | 0.45 |
Costa do Marfim 86,4758%, Turcomenistão 84,2216% e o vizinho Uruguai 81,3541% lideram; Suriname 0,445%, Groenlândia 0,5923% e Singapura 0,9192% fecham a lista. O Brasil está na metade inferior da tabela.
Na América do Sul a dispersão é enorme, do Uruguai acima de 81% à Guiana com 3,4101%. A linha brasileira sobe de 27,91% em 2012 até 28,3411% em 2017 e depois permanece praticamente estável.
Índice de produção alimentar
| Posição | País / território | índice |
|---|---|---|
| 1 | Senegal | 177.49 |
| 2 | Arábia Saudita | 172.66 |
| 3 | Omã | 170.06 |
| 4 | Moçambique | 161.67 |
| 5 | Mongólia | 157.87 |
| 62 | Sudão do Sul | 114.76 |
| 63 | Uzbequistão | 114.43 |
| 64 | Brasil | 113.77 |
| 65 | Vietnã | 113.65 |
| 66 | Geórgia | 113.64 |
| 193 | Hungria | 74.66 |
| 194 | Cuba | 71.39 |
| 195 | Gâmbia | 71.08 |
Senegal 177,49, Arábia Saudita 172,66 e Omã 170,06 encabeçam a lista; Gâmbia 71,08 e Cuba 71,39 estão na base. O Brasil aparece acima de China 111,75, EUA 100,86 e Japão 100,27.
As barras comparam crescimento desde 2014-2016, não volume produzido, e o valor mundial de 100,0 é a base, não uma média de resultados. A linha brasileira sobe de 92,30 em 2011 para 113,77 em 2022.
Emprego na agricultura
| Posição | País / território | % |
|---|---|---|
| 1 | Singapura | 0.1 |
| 2 | Hong Kong | 0.18 |
| 3 | Macau | 0.37 |
| 4 | Israel | 0.76 |
| 5 | Bahamas | 0.78 |
| 67 | República Dominicana | 7.01 |
| 68 | Santa Lúcia | 7.47 |
| 69 | Brasil | 7.63 |
| 70 | Uruguai | 8.07 |
| 71 | Iraque | 8.17 |
| 185 | Níger | 72.99 |
| 186 | Moçambique | 73.01 |
| 187 | Burundi | 85.34 |
Singapura 0,0954%, Hong Kong 0,1824% e Macau 0,3738% ficam no topo, onde o menor valor é o primeiro; Burundi 85,3411%, Moçambique 73,0061% e Níger 72,9925% estão na outra ponta. O Brasil fica no terço superior.
O intervalo entre extremos passa de 85 pontos percentuais, e o Brasil está bem abaixo de China 21,6769%. A linha cai de 9,3065% em 2014, com pico de 9,7979% em 2016, até 7,6278% em 2025.